Acompanhamento psicológico é fundamental no sucesso da cirurgia bariátrica

O número de cirurgias da obesidade tem crescido a cada ano no Brasil. Dados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) apontam que, em 2016, houve um aumento de 7,5%, em comparação com o ano anterior. Os números colocam o país na segunda posição no ranking dos que mais realizam a intervenção no mundo, atrás apenas dos Estados Unidos.

Apesar de ser um método extremamente eficaz para a perda de peso, quando um candidato à cirurgia bariátrica  toma a decisão de realmente fazê-la, é importante que tenha pleno conhecimento de que, na verdade, a opção não é apenas por uma cirurgia, mas, sim, por um programa extenso de tratamento. Além da operação, o plano envolverá mudanças profundas do estilo de vida, incluindo reeducação alimentar, atividade física regular e acompanhamento médico e psicológico constante.

A avaliação psicológica no período pré-operatório é fundamental no preparo do paciente para a mudança corporal e social, assim como o acompanhamento após a cirurgia.

“Avaliamos seu histórico com a obesidade e a relação que ele tem com a comida. Se houver um quadro de compulsão alimentar, por exemplo, provavelmente este comportamento vai se manter ou se distorcer para outro tipo de transtorno, chamado ‘deslocamento de compulsão’, quando ele adota outro comportamento compulsivo, como o de ingerir bebida alcoólica, por exemplo. Além disso, transtornos de humor influenciam diretamente no sucesso da cirurgia”, afirma nossa psicóloga.

Por isso, é necessário, além de diagnosticar, tratar esses transtornos previamente para que o fator emocional não cause interferência nos resultados da técnica cirúrgica. Embora a cirurgia dê um limite quantitativo para a comida, é necessário o cuidado com o que o paciente vai comer e como ele vai se ver após o emagrecimento, pois a cirurgia exige uma vigilância constante para que não ocorra o reganho de peso. O emagrecimento não ocorre como passe de mágica. O comprometimento do paciente com o tratamento pós-operatório e com a equipe é fundamental.

Vale lembrar que, no tratamento da obesidade por meio de cirurgia, é necessário o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar, no pré e pós-operatório, envolvendo psicólogo, endocrinologista, nutricionista, cirurgião e, às vezes, um psiquiatra. “Como as mudanças ocorrem rapidamente e em um curto espaço de tempo (perde-se cerca de 40% da gordura no primeiro ano após a cirurgia), faz-se necessário um acompanhamento terapêutico com o objetivo de ajudar o paciente a enfrentar as mudanças que surgem após a cirurgia, tanto emocionais quanto corporais.

Outra questão diz respeito às expectativas em relação aos resultados estéticos e à nova imagem. A cabeça precisa acompanhar as mudanças do corpo após o emagrecimento. Para este processo ser bem-sucedido, o paciente deve desconstruir a antiga imagem de obeso, mas sem buscar um padrão tido como ‘ideal’ pela sociedade. A cirurgia bariátrica é muito eficiente, com índices de até 80% de sucesso, que é quando o paciente consegue manter-se saudável e no peso ideal após cinco anos do procedimento. Tais índices vêm melhorando graças à prévia avaliação, preparo psicológico para a cirurgia e acompanhamento posterior..

Por fim, se o paciente não for bem pré-avaliado e/ou não receber um bom acompanhamento multidisciplinar após o procedimento, várias complicações podem ocorrer, desde reganho de peso e desenvolvimento de transtornos alimentares, como bulimia [ato de provocar o próprio vômito], por exemplo, até o abuso de bebidas alcoólicas e outras drogas, podendo levar à morte.

Acompanhamento psicológico é fundamental no sucesso da cirurgia bariátrica